Estudo clínico em oncologia: o que o paciente precisa saber antes de participar

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Para muitas pessoas, a expressão “estudo clínico” ainda gera dúvidas. O tratamento é experimental? Existe risco? Posso desistir? Vou receber placebo? Como saber se essa pesquisa é adequada para mim?

Essas são perguntas legítimas e entender as respostas faz parte do próprio processo de participação em uma pesquisa. Um estudo clínico segue um protocolo, documento que estabelece objetivos, critérios para participação, exames, procedimentos, acompanhamento e informações que serão analisadas pelos pesquisadores.

Antes de participar, portanto, é importante conhecer algumas etapas.

1. Primeiro é preciso saber se o paciente atende aos critérios do estudo

Cada protocolo possui critérios próprios. Um estudo pode procurar pacientes com determinado tipo de tumor, estágio da doença, característica molecular, idade, condição clínica ou histórico específico de tratamentos.

Por isso, duas pessoas com o mesmo tipo de câncer não necessariamente estarão aptas a participar da mesma pesquisa. O National Cancer Institute explica que esses critérios ajudam a definir quais pessoas podem participar e também contribuem para que os pesquisadores consigam avaliar os resultados da intervenção estudada de maneira adequada.

2. Existe uma etapa de triagem

Quando há possibilidade de participação, a equipe de pesquisa avalia o histórico médico do paciente e pode solicitar exames ou informações adicionais. Essa etapa é chamada de screening ou triagem.

Somente depois dessa avaliação é possível confirmar se todos os critérios estabelecidos pelo protocolo foram atendidos. Não atender aos critérios de um estudo não significa que algo esteja errado com o paciente. Significa apenas que aquele protocolo foi desenvolvido para um perfil específico de participante.

3. A participação precisa ser livre e esclarecida

Um dos elementos mais importantes da pesquisa clínica é o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o TCLE. No Brasil, a Lei nº 14.874/2024 estabelece que o consentimento representa a decisão voluntária de participar de uma pesquisa depois que a pessoa recebe esclarecimentos sobre os aspectos relevantes para sua decisão.

O objetivo não é simplesmente obter uma assinatura. O participante deve ter a oportunidade de compreender o estudo, conversar com a equipe e fazer perguntas sobre pontos como:

  • objetivo da pesquisa;
  • procedimentos e exames previstos;
  • duração da participação;
  • possíveis riscos;
  • potenciais benefícios;
  • alternativas disponíveis;
  • responsabilidades do participante;
  • acompanhamento durante o estudo.

Se alguma informação não estiver clara, o paciente pode e deve pedir esclarecimentos.

4. O paciente pode retirar seu consentimento

Aceitar participar de uma pesquisa não significa abrir mão do direito de mudar de decisão.

A legislação brasileira estabelece que o participante ou seu representante legal pode retirar o consentimento a qualquer momento, sem necessidade de justificativa e sem que isso gere ônus ou prejuízo.

Esse é um princípio fundamental da autonomia do participante.

5. Existe a possibilidade de receber placebo?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes em pesquisas relacionadas ao câncer. O desenho de cada estudo é diferente e deve ser explicado antes da participação.

A legislação brasileira determina que o uso exclusivo de placebo somente é admitido em condições específicas, como quando não existem métodos comprovados de prevenção, diagnóstico ou tratamento para a condição pesquisada e desde que os riscos não superem os benefícios da participação.

Quando o placebo é combinado a outro tratamento, o participante não pode ser privado do melhor tratamento disponível ou daquele previsto nas diretrizes aplicáveis. Na oncologia, portanto, “participar de um estudo” não deve ser automaticamente interpretado como “ficar sem tratamento”.

6. Toda pesquisa possui riscos e potenciais benefícios

Um tratamento em estudo pode oferecer benefícios, mas eles não podem ser garantidos. Também podem existir efeitos adversos conhecidos ou ainda não totalmente conhecidos.

Justamente por isso existe acompanhamento clínico, registro de eventos adversos, critérios de segurança e avaliações previstas no protocolo.

Ao considerar uma pesquisa, o paciente deve conversar abertamente com sua equipe médica sobre riscos, potenciais benefícios e alternativas disponíveis.

7. Fazer perguntas é parte da pesquisa

Antes de tomar uma decisão, algumas perguntas podem ajudar:

Qual é o objetivo deste estudo?

Por que eu posso ser elegível?

Quais tratamentos estão sendo estudados?

Que exames precisarei realizar?

Com que frequência precisarei comparecer ao centro de pesquisa?

Quais são os riscos conhecidos?

Existem outras opções de tratamento para meu caso?

Quem devo procurar se tiver dúvidas ou sintomas durante o estudo?

Quanto mais informado estiver o participante, mais consciente poderá ser sua decisão.

Informação também faz parte do cuidado

A pesquisa clínica tem papel essencial no avanço da oncologia, mas sua condução depende de ciência, ética, acompanhamento e, principalmente, respeito às pessoas que participam de cada estudo.

O IEP São Lucas desenvolve atividades de pesquisa clínica nas áreas de Oncologia, Hematologia e Terapia Celular e destaca em sua atuação a integração entre experiência clínica, rigor científico e compromisso ético.

Se você recebeu indicação para avaliar um estudo clínico ou deseja conhecer pesquisas em andamento, converse com seu médico e com a equipe responsável pelo protocolo.

Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

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